A SUBJETIVIDADE NA FORMAÇÃO DE EDUCADORES: SENTIDOS DO APRENDER E DO ENSINAR

A subjetividade vem sendo discutida com muita ênfase nas últimas décadas, quando se percebeu que ela interfere na compreensão de várias situações humanas. No caso dos educadores, a subjetividade afeta suas perspectivas em relação à formação e suas formas de atuação profissional. (Scoz, 2011)

Na perspectiva teórica de Fernando González Rey (2003), na subjetividade há o envolvimento e a articulação de vários processos dinâmicos que ocorrem nas histórias de vida dos sujeitos, por exemplo, a confluência de uma série de sentidos que os sujeitos produzem em suas trajetórias de vida e nas condições concretas dentro das quais eles atuam no momento.

Com base na dimensão de integração González Rey (2003) toma o conceito de configuração de sentidos como uma possibilidade de compreender a subjetividade não como algo que faz parte da substância ou da essência do sujeito, mas como algo em permanente construção que transita pelas fronteiras entre sociedade/indivíduo, pensamento/emoção, sentido/significado, consciente/inconsciente

A natureza complexa do sujeito e da subjetividade tem sido pouco considerada na educação. Algumas análises sobre a formação de professores e de educadores em geral têm demonstrado um fato preciso: em geral, os coordenadores dos cursos de formação têm a concepção de que oferecendo informações e conteúdos aos profissionais, produzirão mudanças em suas formas de agir. Essa concepção essencialmente intelectual, não dá conta de perceber que os educadores produzem sentidos em seus processos de aprender e de ensinar, nos quais se integram suas condições sociais e pessoais, seus pensamentos e suas emoções. Essa pode ser uma das razões pelas quais são poucos os aspectos trabalhados nos cursos de formação que resultam em transformações nas ações educativas.

Considerando os sentidos que os professores produzem em seus processos de aprender e de ensinar, enfim, a dimensão subjetiva implicada nesses processos, podemos ter acesso à maneira como eles se situam com sujeitos pensantes, bem como às emoções produzidas em diversas situações de ensino e aprendizagem em diferentes espaços e momentos de suas vidas.  Essas situações podem definir-se como segurança ou insegurança, interesse ou desinteresse, entusiasmo ou desilusão etc. Um quadro afetivo que não pode ser ignorado, pois interfere na prática docente.

Nesse estudo privilegiei a compreensão dos sentidos subjetivos que os professores/educadores produzem em seus processos de aprender e de ensinar em suas famílias, comunidades de convivência, escolas, bem como as possíveis relações entre tais sentidos, bem como, a percepção que os professores/educadores têm acerca de suas produções de sentidos, enfim de suas próprias subjetividades.  E, a partir daí, quais novos sentidos produzem em seus processos de aprender e de ensinar.

A metodologia de trabalho é o Jogo de Areia seguido de narrativas. O estudo realizou-se em um curso de Psicopedagogia de pós-graduação lato sensu da Universidade Católica de Pernambuco. Os participantes da pesquisa foram 36 alunos.

O ato simbólico, a visualização dos aspectos conflituosos, as possibilidades de reflexão e as emoções decorrentes da construção e da narrativa dos cenários fizeram com que as professoras/educadoras se percebessem diante da situação em que se encontravam e redefinissem novos sentidos em seus processos de aprender e de ensinar.

Beatriz Judith Lima Scoz*

*Professora doutora do mestrado em Psicologia Educacional . UNIFIEO. Pós doutora em Educação pela UnB; Mestre e doutora em Psicologia da Educação pela PUC/SP

REFERÊNCIAS

GONZÁLEZ Rey F. (2003). Sujeito e Subjetividade. São Paulo: Editora Thomson

SCOZ, B. (2011). Identidade e Subjetividade de Professores: sentidos do aprender e do ensinar. Petrópolis: Vozes

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